Rato-do-campo-lusitano (Microtus rozianus). Foto: Joana Paupério

A trabalhar para saber como estão os nossos mamíferos

Base de dados dos Mamíferos de Portugal já soma mais 100.000 registos

(Janeiro/2020) Apesar do número elevado de registos, muitas espécies prioritárias para o projecto ainda têm pouca informação e precisam da contribuição dos cidadãos. Saiba como.

A base de dados de ocorrência de mamíferos (SIMPOC) que está atualmente em construção, no âmbito da revisão e atualização do Livro Vermelho, já reúne mais de 100.000 registos de norte a sul de Portugal Continental. Em causa está a avaliação do estatuto de ameaça destas espécies, bem como do estado de conservação das espécies que constam dos anexos II, IV e V da Diretiva Habitats. 

Os grupos taxonómicos que juntam até agora mais informação são os ungulados e os mamíferos marinhos, seguidos pelos roedores e pelos lagomorfos (lebres e coelhos-bravos). Quanto às espécies com mais observações registadas, são lideradas pelo coelho bravo, golfinho-comum e rato de Cabrera. Estas duas últimas espécies são prioritárias no âmbito do projecto. 

No entanto, no âmbito da compilação de observações que está a decorrer até Outubro de 2021, muitas outras espécies prioritárias de mamíferos ainda apresentam poucos registos. Por esse motivo, a contribuição dos cidadãos é também muito importante para que seja melhor avaliada a sua situação. Quem tiver registos fotográficos pode contribuir através da cedência de informação no site do projecto, bastando para isso enviar essas fotografias e identificar o local onde foram tiradas.

Ao longo dos últimos meses, a base de dados do SIMPOC tem vindo a ser construída com base numa estratégia que envolve a colaboração das universidades, entidades públicas, sector privado e cidadãos. 

Da parte académica, foram contratadas equipas das principais universidades com investigação em ecologia e conservação de mamíferos (Universidades do Porto, Trás-os-Montes e Alto Douro, Aveiro, Évora) e ainda a Mesocosmo. Em conjunto com o grupo de monitorização dos mamíferos do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), estes especialistas estão no terreno a reunir informação sobre diferentes espécies – incluindo pequenos mamíferos, carnívoros, ungulados, morcegos e mamíferos marinhos. Até ao momento, foram desta forma compilados cerca de 37.000 registos. 

Cientistas de centros de investigação como o cE3c, CEF/ISA, CESAM, CIBIO-InBio, CICGE, ForestWISE e MED, assim como da Universidade de Huelva e do EBD/CSIC, de Espanha, têm desenvolvido estudos em conservação de mamíferos e são uma fonte significativa de informação sobre a ocorrência destes animais. 

Já o sector privado, nomeadamente a BioInsight e a Biota, também se associaram a esta operação através da cedência de dados provenientes de estudos de monitorização e impacte ambiental. Quanto aos museus de História Natural e Ciência do Porto, Coimbra e Lisboa, fazem parte das entidades públicas que estão a fornecer informação, assim como a Câmara de Loulé. 

A base de dados do projeto também conta com a colaboração de organizações não governamentais como a Quercus, Palombar e Birdlife International, e ainda de vários centros de recuperação de animais selvagens (CRASM, RIAS, CERVAS e Sociedade Portuguesa de Vida Selvagem), que  já disponibilizaram a informação que possuem sobre mamíferos. 

Por outro lado, embora este projeto esteja direcionado para Portugal Continental, instituições públicas do arquipélago dos Açores e Madeira associaram-se à compilação de dados e estão a contribuir com registos de mamíferos, na sua maioria marinhos. São os casos do Museu de História Natural do Funchal, do  Instituto das Florestas e da Conservação da Natureza e ainda da Universidade dos Açores. Estas contribuições totalizaram já mais de 20.000 ocorrências de mamíferos.

A compilação que está em curso inclui também os dados do Atlas dos Mamíferos de Portugal – ao nível da quadrícula 10x10km, com cerca de 16.000 registos confirmados -, relatórios do ICNF, e ainda do GBIF – Sistema Global de Informação sobre a Biodiversidade. Esta organização intergovernamental, que partilha de forma livre e gratuita dados de biodiversidade, foi até agora o maior contribuidor de dados de mamíferos, totalizando mais de 65.000 registos.


Autoria: Clara Grilo

Clara Grilo é coordenadora executiva do projecto. É investigadora do CESAM da Faculdade de Ciências de Lisboa que se tem focado sobretudo na avaliação do impacto das infraestruturas humanas na biodiversidade.

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